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Rinoceronte


Informações Editar

Os rinocerontes são grandes mamíferos perissodátilos (com número ímpar de dedos em cada pata) caracterizados por apresentarem uma pele espessa e pregueada e um ou dois chifres sobre o nariz; é esta característica que está na origem do nome. Estes animais habitam as savanas e florestas tropicais da África e Ásia, pertencendo, na terminologia do safári ao grupo de animais selvagens chamado de big five, correspondente aos cinco animais mais difíceis de caçar: leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte. A caça desses animais está, contudo, oficialmente proibida na maior parte dos países onde ainda existem.


Características Editar

O chifre, diferente do que se pensa, não é feito de osso, e sim feito de pêlos extremamente compactos que formam uma estrutura muito resistente. Os rinocerontes têm pele espessa, de até 7 cm, e também têm orelhas muito pequenas. Eles não enxergam bem, porém tem ótima audição e olfato.
Corno - chifre rinoceronte

Chifres de rinoceronte

Apesar do tamanho e peso, que variam de acordo com cada espécie, esses animais podem atingir até 80 kmh.

O rinoceronte não se associa muito com outras espécies, porém tem um amigo que o ajuda, o Tchiluanda. O Tchiluanda é um passarinho africano que cata carrapatos e avisa o rinoceronte de inimigos próximos. Há ainda uma crença de que o pássaro guia o rinoceronte para colméias onde este encontra mel, alimento que o mesmo aprecia.


O rinoceronte tem somente um filhote de cada vez. Após dezessete meses de gestação nasce o filhote, que pesa 25 kg e toma leite materno até dois anos de idade. Ao completar de cinco a sete anos, o filhote passa a viver sozinho, sem ajuda dos pais Devido à caça, os rinocerontes são muito raros, sendo que o rinoceronte branco é o menos ameaçado e o de Sumatra, o mais ameaçado de extinção. Os rinocerontes são caçados em busca de seus chifres, que alguns acreditam (embora já provado o contrário) que tenham propriedades medicinais. Um rinoceronte vive até 45 anos.

Comportamento

Em geral, os rinocerontes africanos são mais agressivos que os asiáticos; enquanto as espécies asiáticas lutam com as presas, os africanos usam os cornos para furar o abdómen dos adversários.
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Os rinocerontes africanos alimentam-se pastando no solo, enquanto os asiáticos mais frequentemente comem folhas. Todas as espécies são mais activas à noite e de manhã cedo, passando o dia descansando nas zonas mais protegidas das florestas. Os rinocerontes podem dormir de pé ou deitados e gostam muito de se banhar em poças de lama ou no leito arenoso dos rios. São especialistas em abrir trilhas no mato, penetrando nele à força.

Reprodução


As fêmeas atingem a maturidade sexual aos seis anos e os machos aos dez anos de idade. Durante o período de acasalamento, o macho dominante, usualmente solitário, permanece com a fêmea respectiva durante o período de uma a três semanas.

Existe um ritual de acasalamento, onde durante o acasalamento o par faz perseguições um ao outro, entrecruzam os cornos e emitem sons um ao outro. Após acasalar-se, a fêmea abandona o território do macho.
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O período de gestação é de 490 dias (16 meses), após os quais nasce uma cria bastante ativa, pesando cerca de 50 quilogramas, A fêmea sai para dar a luz permanecendo à parte por diversos dias.

O filhote é amamentado por cerca de 20 meses, ele normalmente anda na frente da mãe e permanece com ela durante cerca de três anos, até uma nova cria nascer. Os filhotes podem nascer em qualquer período do ano, mas há picos em março e julho.

Os machos adultos são animais solitários e territoriais. Jovens adultos podem formar pares. As fêmeas e suas crias formam grupos familiares e as fêmeas do rinoceronte-branco pode formar pequenas manadas. Machos dominantes do rinoceronte-indiano toleram machos submissos em seu território. Quando dois machos dominantes se encontram, eles duelam usando suas presas e muitas vezes essas lutas resultam em mortes. O rinoceronte-branco pratica também um sistema semelhante. Os territórios do rinoceronte-negro são menos definidos. Poucos se sabe sobre esse aspecto em relação ao rinoceronte-de-java e ao rinoceronte-de-sumatra.
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Durante a época da reprodução, o par pode manter-se junto por 4 meses. Os rinocerontes marcam os seus territórios com urina e excrementos que acumulam em pilhas bem definidas e que podem atingir um metro de altura, por vezes, ainda escavando as áreas à voltas dessas pilhas, tornando-as ainda mais conspícuas.


Espécies

Há 5 espécies de rinocerontes não extintos no mundo:

Rinoceronte Indiano: essa espécie (Rhinocerus unicornis) vive na Ásia e tem um unico chifre, medindo cerca de 60 cm.

Rinoceronte Branco: É o maior rinoceronte e o segundo maior mamífero terrestre, perdendo somente para o elefante. Mede 2 metros de altura e 5 metros de comprimento, tendo 4 toneladas de peso. Ele tem 2 chifres, sendo que um deles mede 1,5 metros. Esse animal vive na África, principalmente em áreas desacampadas.

Rinoceronte de Java: essa espécie (Rhinocerus sondaicus) está quase extinto. Vive na Ásia, na Indochina, Nepal, Java, na Malásia, em Sumatra, Assam. Ele mede 3 metros e tem 1 chifre.

Rinoceronte Negro: mede 1,5 metros de altura e tem 2 chifres. Esse animal ataca somente quando ameaçado. Ele vive na África (região sul) e é muito caçado.

Rinoceronte de Sumatra: essa espécie vive na Ásia (Sumatra, Tailândia, Malaca, e Bornéu) e tem 2 chifres. Só existem cerca de 300 desses rinocerontes no mundo.


Anatomia Editar

Os rinocerontes são corpulentos e têm uma cabeça grande, tórax largo e pernas curtas. Os ossos pares dos membros rádio/cúbito e tíbia/perónio encontram-se bem desenvolvidos e separados, mas praticamente não se movem. Tanto os pés traseiros como dianteiros são mesaxónicos (com o dedo maior no eixo do membro), com três dedos cada e cada dedo protegido por um casco curto. As espécies africanas têm patas grossas enquanto suas contrapartes africanas as tem leves e ágeis, permitindo aos rinocerontes africanos alcançar até 45 km/h em corrida. A sua espessa pele (cerca de 2,5 cm de espessura) tem pêlos pouco aparentes e é enrugada em pregas, dando a aparência de placas em algumas espécies. O espaço, de tom rosado entre as placas, é menos protegido e suscetível a ectoparasitas como carrapatos. A cauda tem cerdas fortes. Existe também pêlos nas bordas de suas orelhas. O crâneo dos rinocerontes é alongado e elevado na parte posterior, devido a uma forte crista occipital. A caixa craniana é pequena (e portanto o cérebro também) e os ossos nasais projectam-se para a frente, podendo chegar para além das pré-maxilas e suportam os cornos, que variam em número de um a dois, conforme a espécie. Os cornos, de origem dérmica, não são "enraizados" no crânio. São formados por fibras muito apertadas de queratina, uma proteína forte que também presente em cabelos e unhas. A fórmula dental dos rinocerontes é: 1-2/0-1, 0/1-1, 3-4/3-4, 3/3, ou seja, 24-34 dentes, quase todos pré-molares e molares. Os caninos e incisivos são vestigiais excepto nos rinocerontes asiáticos, que têm os incisivos inferiores transformados em fortes presas. Os rinocerontes que pastam (Ceratotherium) têm molares hipsodontes, enquanto que nos outros géneros são braquidontes. Os olhos são pequenos e as orelhas são curtas, proeminentes, móveis tubulares e erectas. Sua visão é fraca, mas sua audição é boa e seu olfato, excelente.


Registros Fósseis Editar

Foram descobertos fósseis de rinocerontes do Eoceno superior (33 a 40 milhões de anos atrás) e eram abundantes na América do Norte, Europa e África desde o Mioceno até ao Pleistoceno. Muitas espécies viviam nas pradarias e na tundra boreal e, ao contrário das espécies actuais, tinham uma espessa cobertura de pêlos. Uma destas espécies, Coelodonta antiquitatis (o rinoceronte lanudo), é representada claramente em pinturas rupestres. Uma família próxima dos rinocerontes actuais, Hyracodontidae, incluía o maior mamífero terrestre conhecido pela ciência, o Indricotherium, que possivelmente atingia uma altura de até 5,4 m (média de 4,75 m) do ombro ao solo, era capaz de alimentar-se de vegetais alcançados a até 8 m acima do solo e podia provavelmente pesar até 18 toneladas, ou seja, cerca de 2,5 vezes o peso de um elefante africano actual (considerando-se machos de ambas as espécies).

Caça ao Rinoceronte Editar

Os rinocerontes adultos não tem predadores se não o homem. Os filhotes podem ser vítimas de leões, tigres e hienas se houver uma oportunidade favorável para estes. Todas as espécies de rinocerontes se encontram ameaçadas de extinção, devido ao facto de serem muito pouco férteis – cada fêmea só tem uma cria de dois em dois anos – e, portanto, muito vulneráveis à caça, para além de sofrerem pela destruição do seu habitat.

Eles têm sido caçados extensivamente porque praticamente todas as suas partes são usadas na medicina tradicional asiática. A parte mais valiosa é o corno que tem sido usado como afrodisíaco, para curar febres, para cabos de adagas no Iêmen e em Oman, ou para preparar uma poção que supostamente permite detectar venenos.

Todos os rinocerontes são listados pela CITES em algum grau de risco de extinção. Estima-se que haja em torno de 12.000 animais no mundo. Todas as espécies são protegidas por leis locais. A nenhuma de suas espécies é garantido um número seguro. A espécie menos ameaçada é o rinoceronte-branco. O rinoceronte-de-java conta com somente 60 animais (estimativa de 2002).


Ameaças de Extinção Editar

Os rinocerontes estão seriamente ameaçados de extinção apesar da maior parte se encontrar em parques e reservas onde é proibida a sua caça. Infelizmente, tal não impede que os caçadores furtivos continuem a dizimá-los pelo elevado valor dos seus chifres nos mercados asiáticos. Os cornos de rinoceronte africano são ilegalmente contrabandeados para a Ásia como "produto medicinal" devido ao seu alegado «poder curativo», acreditando-se que têm propriedades afrodisíacas e curativos de cancro, pelo que chegam a valer no mercado negro 65 mil dólares por quilo.

Na África Austral foi constituída uma reserva transfronteiriça (Great Limpopo Transfrontier Park) juntando o Parque Nacional Kruger da África do Sul, o Parque Nacional Gonarezhou do Zimbabué e o Parque Nacional do Limpopo de Moçambique, devido a um acordo de conservação entre as três nações.
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Contudo as autoridades não foram capazes de garantir a segurança das fronteiras que passaram a funcionar como entrada dos caçadores furtivos para as zonas vizinhas. No Parque Kruger da África do Sul restavam apenas 69 indivíduos em Abril de 2013, depois de terem sido mortos 180 nos primeiros meses desse ano e 668 em 2012. O responsável pelo Parque Nacional do Limpopo afirmou que os últimos 15 exemplares de rinocerontes existentes em Moçambique teriam sido mortos em Abril de 2013. Nesse mesmo mês, Abril de 2013, um cidadão do Vietname abandonou nove cornos de rinoceronte no Aeroporto Internacional de Maputo (Moçambique), pondo-se em fuga quando interpelado pela polícia. Em 2012 tinham sido apreendidos nas Filipinas seis cornos de rinoceronte escondidos em sacos de caju provenientes de Moçambique. Em 2011 já tinha desaparecido no Vietname uma das duas únicas populações existentes da espécie rinoceronte-de-java. Dessa espécie subsistiam apenas na altura 50 indivíduos na ilha de Java (Indonésia), que também se encontram em risco devido à caça furtiva. Uma vez que as várias espécies de rinocerontes estão a desaparecer no meio selvagem, o mercado passou a alimentar-se de roubos em museus. A 17 de Abril de 2013 foram roubados do National Museum Archives, situado em Swords, região de Dublin, Irlanda, quatro cabeças de rinoceronte com um total de oito chifres, peças avaliadas em cerca de 500 mil euros. Em Portugal também tinha sido roubadas em 2011 dois chifres que se encontravam no Museu de Ciência da Universidade de Coimbra. O indivíduo que na altura foi detido era de nacionalidade irlandesa e já tinha sido preso na Alemanha pelo furto de dois chifres de rinoceronte.

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